domingo, 5 de dezembro de 2010
11:19
Postado por
Lucas Andrade
Rodrigo Pimentel viu os olhos de Ana Paula Araújo se encherem de lágrimas, quando a jornalista anunciou, ao vivo no "RJ TV", na tarde de domingo passado, que o traficante Zeu, um dos responsáveis pela morte de Tim Lopes, em 2002, acabara de ser preso.
A apresentadora da TV Globo estava no estúdio, quando o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio (Bope) falou, emocionado, sobre a bem-sucedida operação das forças de segurança ao ocupar, sem pôr em risco a vida de nenhum oficial, o Complexo do Alemão, no Rio. Juntos, eles narraram os momentos mais importantes da ação policial, iniciada no último dia 25, quando centenas de soldados do tráfico fugiram em bando da Vila Cruzeiro, rendendo imagens que paralisaram o país.
"No primeiro dia, fiquei no ar durante seis horas e meia seguidas. Assim como todo mundo, fiquei vidrada no que estava vendo. Não pensava em quantas horas eu já estava ali, se as pernas estava doendo ou não... No final, senti que estavam formigando! Na internet, perguntavam "Ela não come?" ou "Não vai ao banheiro?", mas nem me lembrava dessas coisas" - afirma Ana Paula, que naquela quinta havia passado o crachá na entrada da emissora às 5h para comandar o "Bom dia Rio", e só foi embora para casa quando a novela "Araguaia" estava no ar: "Acho que nunca aconteceu de eu passar tanto tempo no trabalho. Depois, quase não consegui dormir. Só fui me acalmar lá pelas onze da noite".
Pimentel, que atuou na polícia por 12 anos, há um comenta sobre segurança pública na TV. Mas para ele, essa cobertura foi um marco, não só na atual profissão, como também na História da cidade."No domingo, foi impactante ver o blindado entrando por aquelas ruelas. Naquele reduto a polícia não entrava há cerca de sete anos" - diz ele, confiante que isso "é só o começo": "A facção criminosa tinha aquela região como um bunker. Era lá onde traficantes de outras favelas iam se esconder. Pelas imagens, podemos imaginar que existiam em torno de 600 homens armados. E tenho certeza que a Polícia Civil vai prender vários".
Para conseguir acompanhar passo a passo o que estava acontecendo nas ruas, Ana Paula e Pimentel trocaram refeições por lanches , dormiram pouco e abdicaram das horas com a família. "Num certo momento, aproveitei que Rodrigo estava falando e passei um bilhete para um auxiliar do estúdio, pedindo para alguém ligar para a minha casa para saber se estava tudo bem. Depois, pelo ponto, a diretora me avisou que sim" - lembra Ana Paula, que é mãe de Melissa, de 4 anos. "Assim como aconteceu na operação policial, contei com uma força-tarefa entre amigos e família. Todo mundo se ofereceu para ficar com Melissa" - diverte-se.
Pai de dois meninos, Eduardo, 11, e Gustavo, 7, Pimentel só conseguiu vê-los acordados na noite da última segunda, depois de mais um dia longo de trabalho. Em compensação, o ex-oficial do Bope virou celebridade instantânea: viu multiplicar rapidamente o número de seus seguidores no Twitter e, pelos corredores da emissora, ganhou uma legião de fãs, apelidadas de "Pimentetes".
"Nas redes sociais, recebo muitas mensagens. A maioria é de mulheres elogiando. Acho que foi criado um fetiche por conta do filme "Tropa de elite" - acredita o marido de Rosele: "Ela entende e brinca com isso. Às vezes, responde aos comentários". Na casa de Ana Paula, o marido, Christiano, já está acostumado a sua carga horária e foi compreensivo ao saber que não poderia contar com ela na inauguração do restaurante do qual é sócio.
"Eu só consegui ir dois dias depois. Foi quando, pela primeira vez, fiz uma refeição de verdade. Comi um prato de massa", revela a apresentadora. Durante a cobertura, o jeito era tapear a fome com sanduíches, sucos e achocolatados. "Perdi uns três quilos. Enquanto Ana Paula falava, eu fugia e fazia um lanche e vice-versa", conta Pimentel, que, por duas noites seguidas, dormiu apenas por duas horas: "Aconteceu de eu sair da Globo às 1h30m e voltar às 5h. No domingo, acordei sem voz. Precisei fazer exercícios com a fonoaudióloga. Se isso me cansou? Não. Eu estava muito envolvido. Na segunda, fui a um restaurante e brincaram comigo, perguntando se tinham me libertado. Mas eu não fiz nada obrigado".
Para Pimentel, a transmissão ajudou a despertar o sentimento de solidariedade entre os telespectadores."Não pedimos banho de sangue, não julgamos a ação policial. Mostramos uma ação sem efeitos colaterais", justifica ele, ainda tocado com o que aconteceu: "Quando as forças entraram pela rua Joaquim Queiroz, dentro de um blindado estava o meu irmão, que é tenente-coronel. Fiquei preocupado com ele e tantos amigos. Mas, quando o Allan (Turnowski, chefe da Polícia Civil) anunciou que o Areal estava tomado, constatei o êxito. Mas uma imagem em especial mexeu comigo, a de uma viela onde, em 1999, durante uma operação que eu comandava, um policial amigo foi morto. Agora, vi a mesma rua dominada pela polícia."
No controle da situação durante o tempo que precisou ficar no ar, Ana Paula mostrou jogo de cintura para driblar contratempos. Mas a jornalista confessa que precisou respirar fundo ao acompanhar a prisão de Zeu.
"Tive vontade de chorar ao lembrar de Tim", assume ela, há 15 anos na Globo: "Também fiquei preocupada com quem estava mandando matéria da rua, mas todo mundo aqui passa por um curso sobre segurança e sabe que não pode se expor ao perigo. Deu vontade de estar lá também. E ainda vou! Estamos programando a minha ida ao Complexo do Alemão".
Fora todo o desempenho da dupla, também chamou atenção a elegância da jornalista: "Todo mundo se espantou com o fato de eu estar de salto alto por tanto tempo. E teve um momento engraçado: entre tantos e-mails sobre o assunto que estávamos tratando, teve gente escrevendo para saber de onde era a saia que eu estava usando", diz, aos risos.
Revista da TV
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8 de dezembro de 2010 às 01:51
ANA EO RODRIGO E 10.